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O debate que não haverá




Nenhum Governo – “nunca antes na história deste país” – ludibriou tanto a sociedade ao anunciar debates sobre temas relevantes. Até hoje, à lá licitações fraudulentas, todos os alardeados “debates” também foram de cartas marcadas. 

Na esteira da afirmação acima, cito o professor João Batista Araújo e Oliveira, doutor em Educação, que fez publicar, na Folha de S. Paulo (12/01/16), o artigo “O debate que não houve”. 

Na essência, o colega – que é “presidente do Instituo Alfa e Beto, organização não governamental dedicada a promover políticas educacionais para a primeira infância” – afirma que o “Brasil perdeu a oportunidade de debater o currículo nacional para o ensino básico; que o MEC impôs consulta pública sem direito a um confronto direto de opiniões e posições”. 

Oliveira está falando da ausência de debates acerca da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento recentemente publicado no portal do MEC.

Sua elaboração foi realizada por “especialistas” convidados por aquele Ministério. Aliás, é sempre assim: colaboradores do governo – em geral próximos do PT e PCdoB – fazem-se passar pela totalidade da sociedade civil, representando-a alhures.

Assim que soube do documento, li suas indicações para a Área de Linguagens, posto que alguns professores de História já haviam se pronunciado, denunciando aberrações àquela disciplina.

Um dos absurdos apontados – já descontando o apagamento do tópico “Revolução Francesa” na tal BNCC – refere-se à desobrigação do ensino das histórias antiga e medieval, sustentáculos à cultura do Ocidente, da qual somos tributários. 

E não deu outra! 

Nas “Linguagens”, também há aberrações. Algumas, como a subtração da Literatura Portuguesa, da qual se excluem autores como Gil Vicente, Camões e Fernando Pessoa, já foram apontadas por mim no artigo “Fracasso anunciado na ‘Base”, publicado originalmente no Diário de Cuiabá em 07/01/16. 

Após reações veiculadas pela mídia, o MEC veio com a lorota de sempre: que “essa é uma versão preliminar; que cada um pode participar enviando sugestões on-line”. 

Claro que pode, mas a comissão de “especialistas”, no limite, acatará propostas que estejam inseridas na mesma perspectiva pedagógica que sustenta a BNCC. Fora disso, duvido, embora quisesse ser contrariado nesta certeza. 

E qual é a linha pedagógica da BNCC? 

Antes de tudo, em linhas gerais, absorve orientações fracassadas de autores pós-modernos/neoliberais/construtivistas, muitos deles aninhados nas universidades. Depois, é uma dilatação gigantesca que permeia pontos inseridos nas Diretrizes do PT. 

Desses pontos, destaco os itens que tratam de políticas inclusivas, das quais enfatizo os tópicos voltados aos povos africanos e indígenas.

É bem verdade que naquelas diretrizes, diferentemente da atenção dispensada aos afrodescendentes, os indígenas são esparsamente citados aqui e acolá. 

Na BNCC, não. Ambos (afros e indígenas) recebem tratamento semelhante. Nada contra isso, mas tudo contra extrações de conhecimentos consolidados e necessários à formação de nossas novas gerações.

A antiguidade greco-romana e a história/cultura portuguesa, por exemplo, não podem ser subtraídas, nem ou, pior, trocadas por estudos quaisquer. 

Enfim, caros leitores, estamos diante da possibilidade de se concretizar um dos maiores ataques à inteligência nacional.

Isso só será evitado se a sociedade compreender a dimensão da tragédia (não grega, mas brasileira) que é a BNCC, e fazer o MEC desistir de jogar essa pá de cal em nossa educação, já em adiantadíssimo estado de falência. 

ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA SÁ é doutor em Jornalismo pela USP e professor de Literatura da UFMT. rbventur26@yahoo.com.br
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