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Contestados no passado viram alicerces do Corinthians de Tite

Considerados os craques do Brasileirão, até Jadson e Renato Augusto foram contestados


O Corinthians está perto de ser campeão brasileiro com uma das campanhas mais incontestáveis da história. O time tem o maior número de vitórias, o melhor ataque, a defesa menos vazada e pode ser campeão com quatro rodadas de antecedência. Não é à toa que o grupo comandado por Tite é o mais elogiado do país. Mas nem sempre foi assim. Alguns jogadores que são alicerces do time foram criticados pouco tempo atrás.

Os atletas que jogam por música no torneio e têm uma larga vantagem de onze pontos sobre o segundo colocado Atlético-MG já enfrentaram um período difícil. É o caso de boa parte do time como o zagueiro Felipe, o lateral direito Edilson, o volante Ralf, o atacante Vagner Love e até, quem diria, os dois meias que brigam pelo prêmio de melhor jogador do Campeonato Brasileiro.

Jadson terminou o ano passado em baixa. Na reserva, raramente era escalado para entrar em campo. Quando Petros era titular, ele chegou a ser preterido por Danilo e Lodeiro e só voltou a ter chances quando o argentino foi para o Boca Juniors. A partir daí também deslanchou. Conseguiu uma regularidade que nunca teve e virou peça fundamental no meio de campo. Decisivo, se destaca pelas assistências e ainda é o vice-artilheiro do campeonato com 13 gols.

Jadson tem uma briga sadia rodada a rodada com o colega Renato Augusto para saber quem será eleito o craque do torneio. Renato encanta a cada partida e se destaca por ser completo em campo seja por sua visão de jogo, qualidade no passe ou interligência tática. Mas, curiosamente, também amargou a reserva e quase foi negociado com o Flamengo quando Mano Menezes achava que não dava para os dois jogarem juntos no primeiro semestre do ano passado.

Lucca comemora o gol marcado nos acréscimos, que garantiu vitória do Corinthians



"Na verdade eu queria voltar a jogar, ele (Mano) tinha falado ou jogava um ou outro, ele tinha acabado de trazer o Jadson. Então na época eu falei 'eu não vou jogar'. Na época o Corinthians era terceiro ou quarto colocado, e o Flamengo estava na zona do rebaixamento. Ai eu falei: 'eu estou disposto a vir jogar'. Aí o Flamengo gostou da ideia e falou: 'a gente vai conversar, depois liga para o seu empresário'. Dois dias depois meu empresário ligou: 'oh, os caras não querem'. Então é para eu ficar aqui, é para eu ficar porque vai vim coisa boa", disse em entrevista ao canal do Youtube Desimpedidos. E ele provou que estava certo.

Também no meio de campo, Ralf hoje é incontestável. Ídolo da torcida e adorado por Tite e pelo grupo que vê nele um exemplo de profissional trabalhador. Mas também enfrentou sua turbulência depois da eliminação na Libertadores. Ralf foi para a reserva dando lugar a Bruno Henrique porque Tite queria um meio de campo que privilegiasse a qualidade na saída de bola. O volante só voltou ao time com a lesão do colega e não largou mais. Não à toa, o time embalou.

No ataque, Vagner Love passou por maus momentos. Enfrentou um jejum de gols, chegou a ficar cinco jogos sem marcar e ainda era acusado de ter dificuldades até para dominar a bola. Hoje, tem colaborado com o time e balançado as redes com frequência. O atacante é o terceiro na tabela de artilharia do torneio com doze gols.

E, como se não bastasse os outros setores, a defesa de Tite também enfrentou períodos difíceis em um tempo não tão distante. O zagueiro Felipe era detestado pela torcida até o fim do ano passado por causa das suas más atuações e de suas falhas. Sua redenção foi no jogo contra o Once Caldas pela fase de grupos da Libertadores deste ano. Em noite inspirada, ganhou todas as disputas e marcou o gol que tirou o time do sufoco na vitória por 2 a 0. Ali ganhou um voto de confiança de Tite e mudou sua história no clube. Acabou se firmando no time titular com ótimas atuações.

Foi justamente inspirado em Felipe que o lateral direito Edilson também encontrou forças para dar a volta por cima. Por conta do mau desempenho, chegou a se reunir e ser cobrado por Tite e pelo gerente de futebol Edu Gaspar. Ficou marcado, por exemplo, por duas falhas nos gols sofridos contra Grêmio e Inter pelo segundo turno do campeonato.

Se não virou referência atualmente, Edilson pelo menos parou de ser contestado e deu uma bela resposta aos críticos no último jogo contra o Coritiba que deixou o Timão com uma mão na taça. O jogador sofreu o pênalti que culminou no primeiro gol do Timão e ainda deu o cruzamento para o segundo.

Com todo esse time inspirado, o título do Brasileirão está cada vez mais perto. Para a façanha se concretizar, basta vencer o Vasco na próxima rodada, no dia 19, em São Januário, ou contar com uma derrota ou empate do Atlético-MG contra o São Paulo.

Fonte: Do UOL, em São Paulo - Fotos: Eduardo Anizelli/Folhapress/Eduardo Anizelli / Folhapress
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